Versão ou música autoral? O que devemos cantar?

Tempo de leitura: 6 minutos

Versão ou música autoral? Esta tem sido uma das questões mais intrigantes no cenário da música evangélica. Como devemos proceder?

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Houve uma época em que os artistas trabalhavam e muito para construir seu caminho na música.
Grandes compositores como Ademar de Campos, Asaph Borba, Sergio Pimenta, Janires e muitos outros surgiam no cenário.
Estes estão na ativa até os dias de hoje, e escreveram sua história com Deus.
Neste tempo também apareciam interpretes, ou seja, cantores que apenas interpretavam as músicas mais conhecidas. Poucos deles seriam reconhecidos hoje. Onde quero chegar?

Se fizermos as contas veremos que aquelas pessoas que construíram um caminho em cima de suas próprias histórias e canções tiveram ou têm um trabalho muito mais longo. Mas o que quero apresentar aqui neste texto não é uma crítica, apenas gostaria de expor as realidades de diferentes épocas para que você e eu, façamos nossas escolhas.

Pensando por um lado de Marketing, quando fazemos aquilo que de fato não nos representa, estamos na realidade propagando um trabalho que de fato não é nosso, levantando a bandeira alheia, tomando aquilo como nosso quando de fato não é.
Desta forma toda vez que interpretamos uma canção, uma peça de outro compositor, estamos fazendo com que o seu trabalho seja eternizado, e não o nosso. Por outro lado vemos a interpretação como uma porta para atrair a atenção do ouvinte, e na hora certa inserir algo que é nosso.

Esta estratégia vem sendo usada há anos nos inúmeros bares do Brasil e do mundo.
O cantor interpreta uma dúzia de músicas conhecidas e de repente canta uma sua.
Há casos em que esta única canção pode arruinar o seu trabalho de forma que este artista não possa mais se apresentar ali. Desta forma ele se rende e continua com suas interpretações. Pior ainda é ouvir aquele berro embriagado: Canta Raul…

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Mostrando um outro lado, quando iniciei meu trabalho na área da adoração, só cantava músicas minhas, achava que todos tinham que aprender rapidamente as minhas canções e se conectar de alguma forma com Deus. Passei um ano agindo desta maneira, mas no fundo sabia que algo estava errado, só não queria admitir.
Foi quando me apresentei em uma Igreja de Goiania, e no meio do louvor do culto de domingo o pastor sussurrou em meu ouvido: Cante alguma canção congregacional, por favor.
Respondi que não tinha nenhuma, e ele entendeu, mas o louvor continuou a mesma “luta” de sempre, eu tentando ensinar minhas músicas e ministrar adoração ao mesmo tempo, algo como assoviar e chupar cana.
Durante a pregação minha alma doía, eu sabia que tinha que mudar, e urgentemente.

Voltei a São Paulo e passei uma semana pesquisando e aprendendo músicas de adoração conhecidas e acima de tudo, músicas que me conectavam rapidamente com o Senhor, independente de serem brasileiras ou “gringas”.  Meu único critério era que a primeira pessoa a ser tocada era eu, e assim aconteceu e acontece até hoje.

Aprendi então que quando quero falar do meu trabalho e ministério, preciso compor canções que saem do meu coração. Em meio às ministrações sempre encontro o momento certo de apresenta-las.
Mas o povo que vem para adorar precisa viver aquilo que está cantando e pra isso é melhor que conheça as músicas.
Deste ponto de vista não há nada de errado em interpretar canções de outros artistas, muito pelo contrário.
Se a nossa intenção como ministros é conectar o povo com Deus, não importa mais quem fez ou deixou de fazer, não estamos ali para sermos reconhecidos, e sim para sumir pra que o Seu nome apareça.

Estamos na era da “versão”, onde as pessoas ficam no youtube procurando músicas famosas, principalmente em Ingles, só que traduzidas para a nossa língua. Os artistas mais espertos correm e traduzem musicas para suprir esta demanda, e acabam fazendo sua “fama”.
O que ganham com isso? Milhares de seguidores. Isso é maravilhoso, mas definitivamente não é tudo.  Ouvi de um pastor que: Ter muitos seguidores na rede social é como ser rido no Banco Imobiliário. Amei esta frase.

Vemos uma disputa por gravar versões, um “gringo” compõe e antes mesmo de lançar já existe uma lista de brasileiros garimpando. Isso se tornou um mercado para eles, que já têm sua fatia garantida aqui no nosso país.
Antes não era assim e tudo funcionava maravilhosamente bem.
Agóra é assim e continua funcionando bem, o que vem a seguir? Não sabemos, mas me preocupo com os corações e não com quem compôs, quem interpreta, quem fica ou quem sai.
Não estou criticando, pois eu mesmo fiz, faço e farei versões, seria um hipócrita em reprovar esta atitude.
Apenas me preocupo com a longevidade destes ministérios que surgem, e logo desaparecem.
Parece que nos falta na verdade profundidade na Palavra, conhecimento de Deus, e logo uma história de relacionamento pra contar.

O mercado da música está assim, veja como é a música sertaneja, meia dúzia de “Cartolas” bancam a carreira de um cantor, fazem dele uma pessoa famosa, extraem tudo o que podem e depois partem pra outro.
Não podemos deixar que algo que Deus nos deu de tão precioso caia nas mesmas mãos.
Não podemos dançar conforme esta música, não somos número, não somos estatística, somos servos de Deus e temos um talento para cuidar, zelar, investir e fazer crescer. Crescer da maneira certa, não com o fermento do mercado desleal e implacável.

Vamos e temos que interpretar outras músicas, mas vamos deixar a nossa marca, pois ao contrário do que possam dizer, o Brasil tem compositores sinceros, bons, capazes. Somos um pais que adora e sabe adorar.

Pra resumir deixo aqui o meu conselho. Quer você cante músicas próprias ou versões, faça tudo pra glória de Deus. É Ele quem direciona as nossas vidas e ministérios, nos levando às atitudes corretas, pois é Seu nome que está acima de tudo.
Busque o equilíbrio entre todas estas coisas, pois tudo que é pra glória de Deus é bom e deve ser usado a Seu favor. A palavra certa é EQUILÍBRIO.

Deus ate abençoe, Shalom.

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IMPULSO / DEIO TAMBASCO

Deus abençoe
Déio

1 comentário


  1. cara, gostei dessa publicação, realmente é o que esta acontecendo em nosso meio musical gospel… aparece um ministerio X cantando a versão da musica gringa Y, ai vc muda pra faixa 2 do cd e não tem mais nada, muitas vezes ministerios despreparados estão sendo lançados no mercado fonografico como um tiro no escuro, que de repente nao vinga e pode gerar uma frustração no lider ministro de sse ministerio e em toda a banda… e se essa galera nao for firmada em Deus? se desviariam da presença de DEUS por causa dessa experiencia ruim…

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